6 de julho de 2016 |
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PARA MAMÃES | PAREI DE TRABALHAR PARA SER MÃE, NÃO ME ENCHE!

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Corrigindo, não parei de trabalhar, parei de trabalhar como engenheira e estou trabalhando como mãe, que por sinal, é muito mais difícil, exige mais de mim emocional e fisicamente, preciso inovar todos os dias! Em compensação a recompensa é imensamente maior! Porém, nem a certeza que fiz a coisa certa impediu o bombardeio das opiniões contrárias, escutei de tudo,“Vai largar tudo para cuidar do filho, ele nem vai lembrar”, “‘Você não vai se adaptar”, “Louca, estudou tanto e agora vai emburrecer”, “Vai depender de marido agora?”. O engraçado é que, no meu caso, essas opiniões vieram na maioria das vezes de pessoas que não tem filhos, que não tem compreensão nenhuma do que é criar uma criança, ter um marido parceiro e um casamento saudável. As “amigas feministas” criticam aos montes também. Antes de qualquer coisa, sou super a favor do feminismo (já falamos disso por aqui), e por isso é tão difícil assimilar os comentários de menosprezo com minha escolha. Afinal feminismo não é igualdade? Poder simplesmente escolher aquilo que realmente queremos sem ser taxadas ou julgadas?

A vida toda tive convicção que queria ser mãe, desde de pequena mesmo. Com o tempo, quando comecei a ter mais noção das coisas, veio uma segunda convicção, voltar a trabalhar logo depois de ter filho, não tinha a menor ideia da complexibilidade dessa decisão. Depois que virei mãe, percebi que não é tão simples assim. Para algumas pessoas é uma decisão fácil, para outras é bem difícil e tem aquelas que realmente não têm escolha.  Para mim, a decisão não veio logo de cara. Tive cinco meses de licença, vivi os primeiros quatro, sem pensar como seria o amanhã, mas assim que chegou o último mês, não passava um dia que não pensava como seriam as coisas depois que voltasse a minha “rotina pré filha”. Na época que estava previsto minha volta ao trabalho, minha mãe estaria de férias, então ganhei algumas semanas sem precisar coloca-lá na escolinha.

No primeiro dia que voltei a trabalhar fiquei desnorteada, tive certeza que não queria mais estar ali, passei o dia todo pensando na minha filha, e como queria acompanhá-la todos os dias,  queria ver de perto cada conquista, não queria perder nada, não queria que alguém me contasse, não queria ler na agenda, quero viver o momento com ela. E preciso dizer, tinha um trabalhado que adorava, com um bom salário, que ia muito além de pagar as contas, meu trabalho me inspirava e me enriquecia, me orgulho muito da minha carreira. Mesmo assim, pedi demissão menos de um mês depois sem pensar no que ia perder, porque não conseguia parar de pensar no que ia ganhar, tempo com a minha filha.

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Não tomei essa decisão sozinha, eu e meu marido conversamos bastante antes, fizemos contas… As coisas ficaram mais apertadas, mas mesmo assim sei que tenho muita sorte por poder tomar essa decisão, afinal muitas mães gostariam de parar de trabalhar mas a situação não permite. Por mais que seja o que eu quero, é estranho parar de trabalhar. Depois de quase 10 anos ganhando seu dinheiro, é muito estranho não ter mais salário. Eu e meu marido temos um acordo, minhas despesas desnecessárias tiveram que diminuir, e por incrível que pareça elas não me fazem falta. O trabalho em compensação faz falta às vezes… Não só os colegas, mas pelo incrível que pareça, sinto saudade da pressão, dos prazos, da cobrança dos clientes, das horas extras… normalmente, passa em alguns minutos, rs. Outra coisa que foi estranho para mim, foi ser responsável por algumas tarefas de casa, ainda assim divido com meu marido, afinal nos dois trabalhamos, né? Era daquelas que organizava a louça na pia, para esperar o dia da diarista chegar, era bem preguiçosa mesmo, péssimo hábito. E acabei descobrindo que serviço de casa não é tão chato quando você pega o jeito. Hoje em dia faço bastante coisa e tudo ainda vira brincadeira, esconde-esconde nas roupas para guardar é a preferida da Luisa.

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É uma pena que vivemos em uma sociedade confusa, que não entende a grandeza de abandonar o “sagrado” mercado de trabalho para cuidar dos filhos. E essa ideia está realmente impregnada nas pessoas, e de novo, no meu caso, o maior julgamento veio das mulheres (lembram desse post aqui que contei alguns episódios de machismo que passei com minha filha), que teoricamente deveriam ter maior compreensão do momento que estou passando. Eu mesma já me peguei dando justificativas desnecessárias para pessoas totalmente aleatórias. A questão é que julgamento existe independente da decisão que tomar, por isso, meu conselho é se blindar das opiniões externas, só assim a decisão será realmente o que você quer, que no fundo é o que te fará mais feliz. E isso é a grande questão, estar feliz com sua decisão. De nada adianta sair do trabalho se isso te faz infeliz, mamãe feliz é igual a bebê feliz, e o contrário também é verdadeiro. Além disso, ser boa mãe, é independente de ser em tempo integral ou parcial, minha mãe, nunca parou de trabalhar, pelo contrário, sempre trabalhou que nem louca, é super mãezonha!

Infelizmente, agora que moro nos EUA, vejo como esse peso da saída do mercado de trabalho é uma questão cultural do Brasil. Vejo que muitas mães querem parar de trabalhar, mas tem receio de não conseguir voltar na posição que pararam. Aqui nos EUA, não existe licença maternidade regulamentada como no Brasil, as mulheres combinam seu afastamento caso a caso, na maioria das vezes são três meses e não é remunerado, além disso as creches são bem caras (escolas públicas são a partir de 4 anos, o chamado Pre-K) e a cobrança de imposto é familiar, diferente do Brasil que é individual (isso significa, de forma bem simplificada,  que se uma pessoa só da família trabalha, o imposto será menor que de  uma família que duas pessoas trabalham). Por isso, é muito comum mulheres super bem posicionadas no mercado pararem de trabalhar por um tempo e retomar em alguns anos sem precisar retroceder na carreira.  

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Tenho planos de voltar a trabalhar, claro! Mas nesse momento, acho que o que tenho de mais valioso para oferecer a minha filha é meu tempo, tanto em quantidade e como em qualidade. Falando nisso, ouvi um comentário no documentário “O começo da vida” (se não assistiu ainda, vale super a pena! Já está no Netflix) de uma mãe em resposta as pessoas que dizem que o importante é qualidade e não quantidade. Não lembro exatamente as palavras que a mulher usou, mas era algo assim, meu chefe não concorda que eu trabalhe duas horas super focada ao invés de oito, ele me quer lá as oito horas. Se teu chefe não aceita menos do que seu potencial total, porque, minha filha, a pessoa mais importante da minha vida, deveria aceitar? Em alguns anos ela terá a rotina dela, “escola, cinema, clube, televisão”, então vai ser minha hora de retomar, o tempo passa tão, mas tão rápido (é assustador… estava grávida ontem e minha filha já está com um ano), que não acho que alguns anos serão um problema.

Falei, falei, falei, e no fundo, quero dizer três coisas, a primeira é como a decisão de parar de trabalhar e ficar com minha filho foi importante para mim, mesmo um ano depois, continuo achando que foi a melhor decisão que tomei. Por isso, se está com esse dilema, se quer cuidar do seu filho, ser mãe em tempo integral, curtir cada segundo, meu conselho é “siga seu coração” e ignore as pessoas que não concordam. O que pode parecer uma posição inferior para muitas pessoas, é a realização pessoal de outras, eu no caso. Largar o emprego, para cuidar dos filhos e da casa não tem nada a ver com submissão, tem a ver com o que te faz feliz, ainda mais se seu marido apoia e reconhece o valor de sua contribuição para o sucesso da família. Dois, se você quiser voltar a trabalhar, também ignore as opiniões contrárias não solicitadas. Como disse, boas mães tem de todo tipo, ser mãe tempo integral está longe de ser sinônimo de ser boa mãe. E a terceira, resume as duas primeiras, não permita que ninguém faça você sentir mal pelo que realmente te faz feliz, seja voltar a trabalhar ou não, tome a decisão que te faz feliz, sua felicidade é imprescindível para felicidade de seus filhos e sua família. Seja qual for sua decisão, haverão julgamentos, por isso, o quanto mais certa estiver dela mais fácil será de lidar com eles.

6 Comentários
Categorias: CONVERSINHA, para mamães

Comments

  1. Adorei, estou grávida de 21 semanas e li exatamente o que precisava .
    Obrigada.

  2. Lindo o seu texto! Também tenho um bebê de um ano… Impressionante como depois que temos filhos todo mundo tem um conselho (que nunca pedimos) para dar! Sou concursada, não tive coragem de largar meu trabalho, mas penso nisso todos os dias!

    • Obrigada Bruna! Foi uma decisão muito certeira viu! Mas como disse, cada um sabe o que é melhor para sua família. Tenho uma amiga que estava exatamente na sua situação, ela é professo da USP, e com razão não queria perder a segurança de um emprego concursado, realmente é um situação bem particular. No final ela conseguiu um afastamento não remunerado de dois anos, ela ficou super realizada! Bjos!

  3. Seu post está maravilhoso, parabéns!
    Eu sai da obra em junho/2015, e desde então não consegui uma nova oportunidade de trabalho ainda.
    Lendo esse post bateu uma saudade tããão grande de toda aquela pressão, cobrança, correria …..
    Sua filha está muito linda, DEUS continue abençoando.
    Muito sucesso para você e continue assim.

    Beijos!
    Fica com DEUS
    =D

    • Obrigada Lori! As coisas não estão fáceis! Vários amigos meus estão desempregados. Mas se Deus quiser vai melhorar logo.
      O ambiente daquela obra era muito bom mesmo, a equipe era bem unida… adorava ir para lá. Aliás as viagens é uma coisa que sinto falta também…
      Beijos e fique com Deus!

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