9 de March de 2016 |
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MOVIMENTO FEMINISTA. OI?

Movimento feminista

Todas já estamos cansadas de ouvir falar em feminismo e já estamos carecas de saber do que se trata, certo? Certo. Será?

Aproveitando o ensejo do Dia Internacional das Mulheres (aliás, nunca é tarde para entender de onde surgiu a celebração do dia 8 de março), decidi escrever este texto e para isso realizei uma boa pesquisa. E posso dizer que não foi tarefa fácil! Li textos e opiniões que parecem vindos da idade média. Eu não tenho a arrogância de posicionar-me como uma especialista neste complexo tema, minha ideia aqui é oferecer fontes de informação para que cada um, em seu próprio universo, possa formar sua opinião, porém, é importante sempre basearmos nossas opiniões no conhecimento sobre determinado assunto. O que mais vejo por aí é opinião baseada em nada, ou opinião baseada em conceitos mais ultrapassados que o pó de arroz. Aí, complica!

Felizmente, este assunto tem invadido as timelines do Facebook, as postagens do Twitter, os jornais, as revistas, os artigos, as matérias, os textos e crônicas independentes. Felizmente porque quanto mais informação, maior e mais rápida a mudança, e se vivemos numa sociedade onde a mulher ouve comentários ofensivos na rua, recebe cerca de 30% a menos do salário de um homem no mesmo cargo, sofre violência doméstica, é estuprada, é morta ou gravemente mutilada em vários países e não tem direito à defesa, é porque sim, precisamos de uma mudança nesse sentido.

Para começo de conversa, é importante alinhar os conceitos de feminismo. Cansei de ver por aí nas minhas pesquisas mulheres e homens repudiando o termo por pensarem que feministas são mulheres que falam grosso e que odeiam os homens. Mas feminismo é tudo menos isso gente!

É como achar que falar de ecologia é coisa de hippie, falar de natureza e meio ambiente é coisa para abraçador de árvores do Greenpeace, falar de tecnologia é para nerds e falar que maquiagem é pra gente fútil!! Está mais do que na hora de tirar esses conceitos antigos, empoeirados e enferrujados da caixola!

Ao contrário do que prega o machismo, como um movimento de repressão e repúdio aos direitos igualitários entre homens e mulheres, o feminismo funciona não como uma tentativa de sobrepor o “poder feminino” sobre o masculino, mas sim de lutar pela igualdade entre mulheres e homens em todos os setores da sociedade.

Eu ado-ro este texto da fantástica Aline Valek para a Carta Capital. É um dos textos, na minha opinião, que melhor esclarece o conceito do feminismo atual. A Clara Averbuck também não deixa por menos nesse texto fanta aqui! Vale de mais a pena a leitura de ambos!

Não é ou não sabe se é feminista? Responda a este rápido questionário desenvolvido pela Cynthia Semíramis e descubra:

1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais? ?
6. você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10. você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Opaaaa! E aí?! Quantos sim você respondeu?! Se você respondeu mais da metade das perguntas como “sim”, miga, cê é feminista!

Direitos iguais

O feminismo faz parte deste grupo de temas antigos que vêm ganhando força nos últimos tempos e que são discutidos de forma aberta e democrática. Antigo? Não é de hoje? Não não! Você sabe, por exemplo, o que foi o movimento Sufragista? O movimento das sufragistas na Inglaterra teve início em 1897 com a criação da National Union of Women’s Suffrage Societies – NUWSS (União Nacional das Sociedades de Mulheres Sufragistas), mas a inquietação das mulheres pela busca por direitos já vinha desde 1792. Naquele ano, a britânica Mary Wollenstonecraft foi pioneira ao lançar um livro sobre direitos femininos, intitulado “Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher”. (Fonte: HuffPost Brasil).

Você sabia que somente em 1934 o voto feminino foi  oficialmente permitido e reconhecido no Brasil?! Ou seja, somente há 82 anos é que nós podemos ir às urnas e eleger nossos representantes! Até então, a mulher era considerada inferior, sem capacidade de julgamento ou raciocínio, muito menos podia dar a sua opinião sobre qualquer assunto que fosse considerado exclusivamente masculino (ou seja: todos menos panelas, filhos, roupas e assuntos domésticos). Aqui neste site bacana da Universidade Livre Feminista, tem uma linha do tempo interativa bem esclarecedora!

O feminismo não discute só a liberdade, discute questões gravíssimas como a violência contra a mulher. O Brasil tem 1 denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos, ontem, dia 8 de março, o Estadão passou o dia inteiro publicando em sua conta no Twitter uma notícia sobre violência contra a mulher a cada 7 minutos. Escrevo este post no dia 8 às 19:02 horário do Brasil, e já são 164 postagens. Relatórios da ONU e da Unicef são perturbadores, trazem dados aterrorizantes sobre mulheres mutiladas, violentadas e mortas em países como Índia, Síria e Líbano (não somente nestes países).

Daqui do Brasil nós, muitas vezes, não temos ideia do que passam as mulheres e meninas nos países de cultura árabe, por exemplo. O casamento infantil (entre meninas muito novas e homens bem mais velhos), ocorre com muita frequência, impedindo que estas meninas frequentem escolas e façam suas opções de vida, a maioria já engravida e têm seus filhos ainda antes dos 14 anos. É uma realidade muito massacrante. E ainda tem quem diga que feminismo é mimimi

violencia_mulher

Antes de mais nada é preciso abrir os olhos e a mente para os conceitos de feminismo e machismo. A cultura e os conceitos machistas são tão, mas tão arraigados que às vezes é difícil de enxergar! Eu mesma, demorei para entender e aceitar determinadas coisas, mas uma vez que você começa a compreender o todo, tudo vai ficando mais e mais claro… Por isso, muitas vezes o machismo parte das próprias mulheres. Fomos ensinadas assim, fomos educadas a nos sentarmos direito, a brincar de bonecas, a nos portarmos, a nos resguardarmos, a sermos doces, a pensar em filhos e casamento como única opção (ou pelo menos a mais importante) e qualquer mulher que saia dessa “caixinha” é julgada e moralmente apedrejada pelas próprias mulheres! Sem falar nos homens… ou você não estava na Terra quando neste último carnaval uma pesquisa indicou que 49% dos homens considera que mulheres que vão a bloquinhos de carnaval não são mulheres direitas. Oi? Meu Deus do céu, e eu aqui crente que vivia em 2016!! Isso são conceitos. Conceitos dos quais os próprios homens são vítimas! Eles nascem e crescem acreditando nisso e muitos nem param para se questionar! Quantas mulheres fantásticas vão a bloquinhos de carnaval e que dariam uma bela parceira de vida para um homem (fantástico também, por favor) mas antes de abrirem a mente para isso eles preferem continuar separando as “direitas”, que são para casar, das “erradas” que são para “pegar”. Isso não é opinião, é conceito. Se você, mulher ou homem, não gosta de bloquinho de carnaval, não gosta de fazer sexo na primeira noite, não gosta de quiabo ou da cor verde, isso são as suas opiniões, seus gostos, suas preferências, existe uma diferença aí entre aquilo que você gosta ou desgosta e aquilo que você fala e pensa sem nunca ter se questionado.

Quando os homens são vítimas do machismo? Quando passam a vida tendo que provar que são machões, que não choram, que transam com 400 mulheres por mês, que têm que trazer o sustento da família sozinhos, ostentar carrões, falar de futebol e sexo o tempo todo… pensa que não? Tenho a sorte de ter um monte de amigos que vão muito contra esta corrente do “machão de carteirinha”, eles são simplesmente o que são, independentemente do que a sociedade espera que eles sejam enquanto homens, mas nem por isso eles deixam de sentir toda essa pressão.

Outro dia a Jé foi ao pediatra com a pequena Luisa, esta que é toda modernosa vestia uma roupinha com estampas de girafa, então uma mulher que estava na sala de espera interagiu com a Jé de forma simpática, chamando a Luisa de “menininho bonitinho”. Quando a Jé a corrigiu, esclarecendo que a Luisa era uma menina, a mulher surpresa indagou: “mas ela não está de rosa”! A Jé ficou besta… a menina nem tem um ano e já é esperado da coitada que ela use rosa que é para ficar dentro do padrão e do que se espera de uma bebê do sexo feminino. E isso acontece o tempo todo das mais variadas formas nos mais diferentes níveis durante toda as nossas vidas!

Bom, já deu pra perceber qual é o meu posicionamento pessoal diante disso tudo não é? É nítido como nós já conquistamos muita liberdade e poder, nosso papel nas nossas famílias, e no mercado de trabalho hoje é outro, nosso posicionamento na sociedade é diferente se comparado à 100 anos atrás, mas não estamos no fim do caminho e da luta. Com certeza absoluta (até rimou sem querer! Hehehe).

Pra te inspirar, mulheres maravilhosas e sites que dão um show quando o assunto é informação sobre feminismo e igualdade de gêneros:

  • Emma Watson: a eterna Hermione de Harry Potter virou Embaixadora da Boa Vontade das Mulheres da ONU e atua de forma intensa no movimento.  Ela tem uma página no Facebook com muito conteúdo bom e esclarecedor! Ela encabeça um movimento chamado He for She, neste vídeo ela fala sobre a necessidade de igualdade de gêneros de forma hiper abrangente e muito, muito emocionante. Não tem como amar mais! <3

Emma Watson feminista

  • Chimamanda Ngozi Adichie: Nigeriana autora de inúmeros (e incríveis) livros, cujas palestras no TED Talk derrubam a casa.
  • Think Olga: na minha opinião o melhor site sobre o tema, criador da campanha “CHEGA DE FIU-FIU” que pra mim é a melhor coisa que tem, já que eu ODEIO esse tipo de assédio muito comum no Brasil!
  • Arquivos Feministas: Facebook cheio de informações e muita coisa interessante sobre o movimento.
  • Moça, você é machista: links, matérias, notícias… um portal muito bem feito para quem quer ficar ligada no movimento.
  • Não Me Kahlo: Coletivo feminista feito por mulheres que manjam dos paranauê, e quem com certeza vale a visita!
  • Mulher no Cinema: um Blog muito legal voltado para a sétima arte! Tudo sobre as mulheres incríveis do mundo do cinema!

Não, eu não sei tudo sobre o assunto, mas sim, estou cada vez mais interessada em aprender mais. Eu posso ser quem eu quiser, toda mulher, todo homem, pode ser quem e como quiser. Vamos procurar fazer o bem, sermos pessoas boas e sensatas, mas pouco importa a cor da sua blusa ou se você vai à igreja ou ao bloquinho de carnaval!!!

Nós merecemos muito mais do que flores no dia das mulheres!

Mulheres historia[Aqui, as mulheres que mudaram a história comemorando o 8 de março! :D]

Ah! Antes que me esqueça, tem um vídeo da Jout Jout com a Nátaly Néri que discute o feminismo para mulheres negras, é muito legal pois o tema feminismo tem tantas nuances… e nas minhas buscas eu aprendi mais esta! Recomendo o vídeo que mostra como o feminismo não é igual para todas as mulheres, apesar de sermos igualmente mulheres!

14 Comentários
Categorias: CONVERSINHA

Comments

  1. OOOO MULHERADA VAMOS LUTAR PELAS COISAS MAIS SERIAS!!!!!!!!!!! FIU FIU NA RUA NÃO OFENDE NE!!! APOSTO QUE AS QUE MAIS RECLAMAM SÃO AS QUE MAIS SENTIRIAM FALTA

    • Ooooo Michelle! Se você gosta, se sente bem, lisonjeada, notada, elogiada, tá no seu direito! Aproveite! Vamos lutar pelas coisas sérias sim! Cada um luta pela sua coisa séria, né?! 🙂
      Obrigada pelo comentário! Beijos!

  2. entendo e apoio a relevancia do femenismo, mas acho muito mas muito chato quando as mulheres te olham torto por querer casar e ter filhos. sou solteira, mas queri SIM casar e ter filhos, mas muitas vezes recebo olhares raiovosos de conhecidos e desconhecidos. parece que tenho que ter orgulho de nao estar com homem nenhum… casar e ter filhos é trair o movimento!?
    odeio os excessos que vem com esse movimento!

    • Oi Joana! Excessos são sempre ruins, tanto pra um lado quanto pro outro, com certeza! E eu acho, por tudo que tenho lido e aprendido com o movimento, que o verdadeiro feminismo está justamente em defender a liberdade de a mulher poder ser o que ela quiser. Se você quer ser uma mulher independente, sozinha, solteira, você pode. Se você quer construir uma família, ser mãe, ser esposa, você pode SIM. Cada mulher deve desempenhar o seu papel da melhor maneira possível e da maneira mais livre possível, sem que ninguém aponte o dedo para ela para dizer o que está certo e o que está errado. Fazendo o bem, com verdade, com honestidade, podemos fazer o que quisermos!
      Obrigada pelo comentário! Beijo pra você!

  3. Eu acho esse tema super válido , mas…
    Acho também que ele está perdendo a verdadeira essência . Esses dias eu vi no Facebook uma publicação que falava sobre músicas machistas, E se tava com a música do seu Jorge que fala que se uma mulher feia dar em cima dele tudo bem mas se for bonita e acaba cedendo a pressão, estavam massacrando ele por causa disso agora o homem não pode nem acha mulher feia que é machista. Quantas agente não fala que tem homem horrível e ninguém fala nada?! Acho que a gente tem que focar no solo tem coisa que aumente importam por exemplo violência contra mulher …

    • Oi Tainara! Sim, acho que como todo assunto polêmico e controverso, há algumas misturebas e às vezes a essência se perde sim… concordo! O que podemos fazer, na minha opinião, é nos informarmos cada vez mais para que as nossas opiniões sejam bem embasadas, não importa que opiniões sejam essas! Quanto mais bem informadas formos, melhor! Assim a gente não cai nessas armadilhas!
      Um beijo e obrigada pelo coments! 🙂

  4. Acho complicado esse tema, sou bem alheia, apesar de por definição ser feminists. Mas vivo num contexto, imagino q vcs tbm, que as diferenças são pequenas e não me ofendem…

    • Oi Luana! Sim, concordo com você, este tema é super complicado e bem complexo, dá para se aprofundar nele por horas… mas também é possível simplificá-lo da seguinte forma: a vida e o mundo não é igual para homens e mulheres. Eu pensava que isso também me afetava muito pouco (justamente pelo contexto que você cita, que creio ter entendido), mas quanto mais leio a respeito mais eu percebo que este desequilíbrio se reflete e “respinga” em mim sim. O que acontece é que, como comentei no post, os conceitos são tão arraigados e tão “normalizados” que a gente demora pra conseguir enxergar…. por isso, volto ao início, é complicado sim, concordo com você! Se você se interessar mais, os sites que listei são uma ótima fonte de informação!
      Obrigada pelo comentário! Um beijo pra você! 🙂

  5. A sociedade é machista até os ossos.Sofri o impensável por morar sozinha e achei que mudando de bairro isso melhoraria.Doce ilusão,o bairro é ótimo,as pessoas….são o que são.E meu”defeito” é não ser casada,nem mãe e graças aos deuses,não suportar a vidinha de escravidão que ainda levam e querem impor a todas.Sim,2016,mas a mentalidade,pré-histórica!

    • Eliana, imagina quando falei que aos 31 anos ia largar tudo e viajar fazendo mochilão!!! Ouvi muito mais incentivo do que reprovação, isso é verdade, mas ouvi alguns: “mas e quando você acha que vai casar e ter filhos? Não está tarde pra você fazer isso?”. E o mais intrigante: só ouvi estas frases de outras mulheres. O que temos que fazer é seguirmos firmes nas nossas decisões, sejam elas quais forem!
      Obrigada pela visita ao Blog e pelo seu comentário! Tudo de bom na sua vizinhança! 🙂
      Beijos!

  6. Fiquei emocionada com o tema do post!
    Todo reforço positivo, toda a divulgação, toda a visibilidade ao movimento feminista é bem vinda.
    Há muito o que ser conquistado ainda: igualdade salarial, respeito intelectual, oportunidades de crescimento profissional, extirpação da violência doméstica e de gênero, empoderamento feminino, liberdade sexual, liberdade de expressão, mais sororidade… A lista é imensa e todos as pautas são urgentes.
    Como disse Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”.
    Parabéns pela iniciativa! <3

    • Gisele, você não imagina quão feliz fico com o seu comentário! Que bom que você gostou, este assunto merece atenção mesmo! Obrigada!!
      Beijos pra você! 🙂

Trackbacks

  1. […] aos montes também. Antes de qualquer coisa, sou super a favor do feminismo (já falamos disso por aqui), e por isso é tão difícil assimilar os comentários de menosprezo com minha escolha. Afinal […]

  2. […] Falando nisso, a Juju recentemente fez um post bem bacana sobre Feminismo, se perdeu dá uma clicada aqui.  […]

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