24 de February de 2016 |
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PARA MAMÃES | O QUE É SER MÃE? A POLÊMICA DO DESAFIO DA MATERNIDADE

DIFICULDADE MATERNIDADE5

Vocês acompanharam a polêmica do Desafio da Maternidade semana passada? Estava querendo conversar sobre vida depois de ter filho, e achei esse o momento o gancho perfeito. Não vou falar especificamente sobre a guerra que está rolando no Facebook, porque acho muito chato essa patrulha do politicamente correto, quanta intolerância para opiniões contrárias! Independente da minha opinião sobre a menina banida, é um saco esse palco maniqueísta que se instalou pelas redes sociais, ou você odeia ser mãe (mesmo que ame o filho) ou você acha isso um absurdo e não teve dificuldade nenhuma. Cadê as mães reais? Que amam ser mães mas sofreram em várias momentos?

Vamos entrar em uma zona controversa, mas esse é um texto muito pessoal, não sou dona da verdade, não me sinto no direito de julgar nenhuma mãe, seja lá quais forem suas dificuldades. O texto a seguir é a minha verdade sobre ser mãe, cada um tem a sua, certo!?

A maternidade é uma curva de aprendizado enorme! Em um minuto você está grávida, e no minuto seguinte, chega em casa um mini ser humano totalmente dependente de você. Você dá de mama, que para mim foi super difícil e frustrante, troca fralda, dá banho… E ao mesmo tempo que está apreendendo a ser mãe, está navegando em território de emoções super intensas e totalmente desconhecidas.

Ter filhos sempre foi uma convicção, desde pequena! Achava que sabia como a maternidade mudaria minha vida, mas não tinha ideia. É difícil explicar, é o tipo de coisa que só vivendo mesmo. Não importa quantos livros você leia, quão pronta você acha que está… Na hora, nunca está preparada, só o dia a dia para te fazer entender as alegrias e as dificuldades de ser mãe. O mais impressionante é sentir como muda o valor que dou a minha vida, apesar de abrir mão dela em um segundo para salvar minha filha, comecei a me cuidar e desejar muitos mais anos de vida, porque além, de achar que ninguém cuida dela como eu, tenho que estar aqui para ver os sonhos dela se realizarem.

O casamento, muda radicalmente. O amor que tenho pelo meu marido se transformou, cresceu. É como se agora fosse agradecida a ele por “termos feitos juntos” a pessoa mais importante das nossas vidas. Em compensação, a vida sexual, esfria. Fica quase abaixo de zero, por um tempo, espero. A carreira, nem ponderei quanto tempo já investi nela. Quando voltei a trabalhar (e foram poucos dias, assunto para outro post) não era a mesma profissional. Não importa quão boa seja a escolinha ou sua babá, no meio do dia ou durante reuniões importantes, pensava “Será que ela está bem?, será que ela mamou?” e então tive que usar toda minha disciplina e comprometimento para não largar tudo e sair correndo, simplesmente para ver se ela está bem, porque apenas um telefonema não era suficiente.

Perdi amigos que você nunca imaginei, aqueles de longa data que torceram o nariz no segundo que comecei a falar do bebê, aqueles que não entendem que você consegue fazer determinados programas mais, basicamente aqueles que não tem noção de que ter um filho não é só uma parte da sua vida que você ignora enquanto sai com eles, mas que ter um filho transforma sua vida toda. Mas ganhei novos amigos, pessoas totalmente desconhecidas que também têm bebês. Pode ser na fila do caixa, na sorveteria, no parque, onde for, logo viram confidentes. A maternidade cria alianças inesperadas, porque ter as mesmas dificuldades aproxima as pessoas.

Falando nelas, para mim, as dificuldades estão associadas a duas questões principalmente: cansaço físico, que é inegável (outro dia, me dei conta que não durmo uma noite inteira há sete meses! Só de pensar, me dá sono até quando acabei de acordar) e cansaço emocional, a pressão de educar, ser responsável por uma pessoa emocional e financeiramente é desgastante.  E para ajudar tem as dúvidas, ser mãe é ter dúvida! Não importa quão assertiva você era, depois de ter um filho, tudo é um constante questionamento. Mas, aos poucos estou descobrindo que ser mãe é isso mesmo, que nada disso é um “privilégio” meu. Agora mais do que nunca, entendo a máxima “errar tentando acertar”. O erro vai acontecer, o que me tranquiliza é ter certeza que a Luisa recebe todo o amor que posso dar e o máximo da minha dedicação.

O cansaço físico não é mole, quando a Luisa pega no sono, respiro fundo com um certo alívio, não tão fundo para ela não acordar, e penso “O que vou fazer agora? Vou comer, vou no banheiro, tomar banho, dormir, lavar mamadeira, …?” Sempre escolho dormir (hoje foi exceção, escolhi fazer o post. Hihihi), porque cansaço é uma constante na minha vida agora.  “Descanso” ganhou um novo significado, um banho de três minutos é quase uma viagem para Bahamas. Quatro horas de sono, é uma ida a um spa cinco estrelas. Uma refeição de verdade com garfo e faca, só no Natal, quentinha então, provavelmente só no Natal de anos bissextos. Batom, corretivo, escova de cabelo, o que é isso mesmo? As prioridades mudam, e você tem que assimilar rapidinho.

Mas afinal, é difícil admitir que está sendo mais complicado do imaginávamos? A imagem que nos é vendida sobre a maternidade é distorcida? Não e não. Para começar, não entendo a resistência em dizer que as coisas estão difíceis, quer dizer, até entendo em determinados casos, uma pena. No meu caso, graças a Deus, vivo em um ambiente acolhedor e sem cobranças. As pessoas do meu convívio, não me cobram a casa estar arrumada e não economizam em dizer que estou sendo uma ótima mãe. Então, eu peço ajuda mesmo! Desde “Mãe, fica com a Luisa que preciso ir no banheiro” até “Amiga (que veio visitar) lava essa loucinha para mim (nesse momento a pia está transbordando)?!”. Em segundo lugar, as dificuldades de ser mãe estão aí para quem quiser saber, as pessoas falam dos problemas, mas enquanto não somos mães não entendemos nem de longe a intensidade de tudo isso. Agora que faço parte desse time, paro para pensar em tudo que as pessoas me diziam e me identifico, mas na época, nem dava bola!

picture of happy mother with baby over white

Ser mãe é abdicar e se entregar diariamente! Tem dias que choro de medo de fracassar, choro de solidão, choro de cansaço, tem dias que acho que não vou conseguir, choro de saudades de trabalhar, choro de frustração por tentar fazer outras coisas além de cuidar da Luisa e não conseguir… Mas muitos dias choro de emoção, é impossível descrever a alegria de ver seu filho evoluir, diariamente. Sou mãe há pouco tempo, não li um milhão de livros durante a gravidez, estou apreendendo. Mas tenho certeza que sou a melhor mãe que consigo ser. Não quero ser piegas, mas não consigo evitar, mesmo nos momentos mais complicados, eu amo ser mãe! É realmente tudo que sempre quis. Amo que agora tem uma parte enorme de mim, que não é a “Jessica”, é a “mãe da Luisa”, porque, invariavelmente, sacrifico meus desejos e necessidades todos os dias em detrimento dos dela. Mas faço feliz! Aliás nunca estive tão feliz. As palavras não explicam como é possível amar tanto, mas tanto aquele “serzinho” minúsculo! É uma amor que não conhecia antes. É difícil, desgastante, cansativo, fato! Mas nada que um esboço daquele sorrisinho banguelo, não faça tudo, tudinho valer a pena. Cada instante, por mais difícil que seja.

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Categorias: CONVERSINHA

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